ALCAT1: a nova fronteira mitocondrial na insuficiência cardíaca por sobrecarga de pressão A insuficiência cardíaca continua sendo uma das grandes síndromes finais da cardiologia moderna. Apesar dos avanços em bloqueio neuro-hormonal, inibidores de SGLT2, terapias para remodelamento ventricular e controle agressivo da hipertensão arterial, ainda existe um ponto central que permanece difícil de tratar: a disfunção energética do cardiomiócito. É nesse cenário que ganha relevância o estudo publicado na Cardiovascular Research , comentado pela European Society of Cardiology, sobre o papel da enzima ALCAT1 no desenvolvimento da hipertrofia cardíaca induzida por sobrecarga de pressão. O artigo, intitulado Targeting the ALCAT1 enzyme for the treatment of pressure-overload hypertrophy , avaliou a participação da ALCAT1 em modelo experimental de insuficiência cardíaca por constrição transversa da aorta, demonstrando aumento importante da expressão dessa enzima no coração submet...
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Insuficiência tricúspide: o ventrículo direito virou o centro da decisão Durante muitos anos, a insuficiência tricúspide foi tratada como uma valvopatia “secundária”, quase sempre deixada em segundo plano. O raciocínio era simples: se o problema principal estava no lado esquerdo do coração, no pulmão ou na fibrilação atrial, a tricúspide seria apenas uma consequência. Esse conceito está mudando rapidamente. A insuficiência tricúspide importante hoje é reconhecida como marcador de pior prognóstico, de congestão venosa sistêmica, de piora funcional, de internações recorrentes e de mortalidade. E, com o crescimento das intervenções transcateter sobre a valva tricúspide, surge uma pergunta decisiva: em qual momento ainda vale a pena intervir? A resposta parece estar cada vez menos na valva isoladamente e cada vez mais no ventrículo direito. Um estudo publicado no European Heart Journal, na área de Valvular and Structural Heart Disease, avaliou exatamente esse ponto: a função do ventrículo ...
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O choque cardiogênico após infarto com supradesnivelamento do ST continua sendo uma das situações mais graves da cardiologia aguda. Quando há hipotensão, hipoperfusão, lactato elevado, piora renal e falência circulatória progressiva, é compreensível pensar rapidamente em suporte circulatório mecânico, como ECMO VA, Impella ou balão intra-aórtico. Mas a mensagem central do artigo é que nem tudo que é tecnicamente possível deve ser usado de forma rotineira. A ECMO venoarterial pode ser considerada em pacientes muito selecionados, com choque cardiogênico refratário, hipoperfusão grave persistente, necessidade crescente de vasopressores e disfunção miocárdica potencialmente reversível. No entanto, a evidência atual não apoia o uso precoce e sistemático de ECMO VA para todos os pacientes com choque cardiogênico pós-infarto. O estudo ECLS-SHOCK foi decisivo porque mostrou que a ECMO VA precoce de rotina não reduziu significativamente a mortalidade quando comparada ao tratamento padrão, ...
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Holiday Heart Syndrome: quando o feriado termina, mas o coração continua pagando a conta O feriado costuma começar antes mesmo da viagem. Na sexta-feira, muitos pacientes já avisam que vão “relaxar um pouco”. Outros garantem que será “só esse fim de semana”. Em poucas horas, a rotina muda completamente: mais bebida alcoólica, churrasco, pouco sono, excesso alimentar, energético, café, longas viagens, desidratação e noites mal dormidas. O problema é que o corpo não entra em feriado junto com o calendário. E o coração costuma perceber rapidamente quando os excessos começam. Nos últimos anos, cardiologistas têm observado um aumento de episódios de palpitações, arritmias e fibrilação atrial após fins de semana prolongados, festas e períodos de consumo alcoólico mais intenso. Esse fenômeno recebeu um nome bastante conhecido na cardiologia: Holiday Heart Syndrome, ou “Síndrome do Coração de Feriado”. A condição foi descrita inicialmente na década de 1970 após médicos identificarem que pacien...