Cardiologia em 2026: o que muda no cuidado do coração, dos rins e do metabolismo A cardiologia vive um dos momentos mais intensos de atualização das últimas décadas. Entre o final de 2025 e a metade de 2026, uma sequência de novas diretrizes, ensaios clínicos e aprovações regulatórias redesenhou parte relevante da prática clínica diária. O fio condutor é claro: coração, rins e metabolismo deixaram de ser tratados como sistemas isolados. A síndrome cardiometabólica ganha diretriz própria Em junho de 2026, ACC, AHA, ADA e ASN publicaram, em conjunto, a primeira diretriz dedicada à síndrome cardiometabólica. O documento consolida prevenção, rastreamento e manejo sob uma única lógica clínica, reconhecendo que obesidade, diabetes, doença renal crônica e doença cardiovascular caminham juntas e devem ser avaliadas de forma integrada, não mais em compartimentos separados de especialidade. Poucos meses antes, em março de 2026, ACC e AHA já haviam atualizado a diretriz de manejo da dislipi...
Postagens
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Complicações mecânicas do infarto: o que mudou no diagnóstico e no manejo A cardiologia intervencionista avançou muito nas últimas décadas. Angioplastia primária, tempos porta-agulha cada vez menores e protocolos de reperfusão mais eficientes reduziram, de forma expressiva, a incidência de complicações graves após o infarto agudo do miocárdio (IAM). Mas um grupo específico de complicações continua desafiando equipes de emergência e terapia intensiva: as complicações mecânicas do IAM. Um consenso recente reuniu as evidências mais atuais sobre três delas — ruptura da parede livre ventricular, pseudoaneurisma ventricular e ruptura de músculo papilar — e traz atualizações relevantes para a prática clínica diária. Raras, mas letais As complicações mecânicas atingem menos de 1% dos pacientes com IAM. O número parece pequeno, mas a mortalidade intra-hospitalar associada chega perto de 40%. Some-se a isso o fato de serem subdiagnosticadas e pouco representadas na literatura científic...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Cardio-oncologia: quando o cuidado com o câncer não pode custar o coração O consultório de cardiologia mudou de perfil nos últimos anos. Ao lado da hipertensão, da dislipidemia e da doença coronariana clássica, cresce um grupo de pacientes que exige um olhar diferente: aqueles em tratamento oncológico ou que já concluíram essa jornada. O avanço das terapias contra o câncer trouxe mais sobrevida. Mas essa sobrevida prolongada trouxe junto um risco cardiovascular significativamente maior, já documentado em meta-análises e coortes populacionais recentes. Cuidar desse paciente hoje significa integrar duas especialidades que, por muito tempo, caminharam em paralelo. De reativo para proativo Durante décadas, a lógica foi esperar a cardiotoxicidade aparecer para depois tratá-la. Essa abordagem reativa não é mais suficiente. O risco cardiovascular precisa ser reconhecido como parte da jornada oncológica desde o diagnóstico, não como uma consequência tardia do tratamento. Esse risco ...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Edema: quando o inchaço é real e quando é a mente enganando o corpo O edema é um dos sinais clínicos mais comuns na prática médica, mas nem sempre sua origem é óbvia. Na maioria das vezes reflete acúmulo de líquido nos tecidos por causas orgânicas bem definidas, como insuficiência venosa, problemas renais, cardíacos ou hepáticos. Existe, porém, um grupo de condições menos discutido, mas igualmente relevante: situações em que o edema se mistura, se confunde ou se sobrepõe a transtornos psiquiátricos e distorções da percepção corporal. Reconhecer essa interseção é fundamental para evitar diagnósticos equivocados, tratamentos desnecessários e sofrimento prolongado do paciente. Síndrome de Edema Idiopático, o edema cíclico Mais comum em mulheres jovens, essa condição se caracteriza por edema intermitente e generalizado, que piora ao longo do dia e melhora com o repouso. É frequentemente confundido com ganho de peso ou obesidade, o que gera frustração e busca repetida por respostas. Um aspe...
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
VESALIUS-CV: o evolocumabe chega à prevenção primária Até hoje, os inibidores da PCSK9 tinham um endereço certo na cardiologia: pacientes que já haviam sofrido um evento cardiovascular maior. A prevenção secundária era o terreno consolidado dessa classe. O estudo VESALIUS-CV, publicado recentemente no ACC, muda essa fronteira. A pergunta por trás do estudo era direta: o evolocumabe consegue prevenir um primeiro evento cardiovascular maior em pacientes que nunca tiveram infarto ou AVC? Desenho do estudo O VESALIUS-CV foi um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido em 33 países, com 12.257 pacientes sem infarto do miocárdio prévio ou acidente vascular cerebral, LDL-C de pelo menos 90 mg/dL e aterosclerose ou diabetes de alto risco. O dado que interessa de perto à prática diária vem de uma análise de subgrupo pré-especificada: pacientes sem aterosclerose significativa conhecida, ou seja, sem revascularização prévia, sem estenose arterial igual ...