Amicretina e a nova geração de medicamentos para obesidade: depois do GLP-1, a amilina pode ser a próxima revolução
Durante os últimos anos, praticamente toda a atenção da medicina da obesidade esteve concentrada em três letras:
GLP-1.
Semaglutida mudou o tratamento da obesidade.
Tirzepatida mostrou que combinar GIP e GLP-1 poderia produzir perdas ainda maiores.
Retatrutida acrescentou o receptor de glucagon e levou os resultados experimentais para outro patamar.
Mas existe uma segunda família hormonal avançando rapidamente — e ela pode ser tão importante quanto as incretinas.
A amilina.
Um dos medicamentos mais interessantes dessa nova geração é a amicretina — atualmente também denominada zenagamtide em seu programa de desenvolvimento —, uma molécula experimental que combina em um único peptídeo a atividade do GLP-1 com sinalização amilinérgica.
Em um estudo de fase 1b/2a publicado no Lancet, a maior dose estudada produziu:
24,3% de redução média do peso em apenas 36 semanas.
E a curva ainda não havia necessariamente mostrado todo o potencial de longo prazo da molécula. (PubMed)
Mas talvez o aspecto mais interessante não seja o número na balança.
É o mecanismo.
Porque GLP-1 e amilina dizem ao cérebro que estamos saciados por caminhos parcialmente diferentes.
E combinar esses dois sinais pode abrir uma nova etapa no tratamento farmacológico da obesidade.
Primeiro: o que é amilina?
A amilina é um hormônio produzido pelas células beta do pâncreas.
Quando nos alimentamos, essas células não liberam apenas insulina.
Também liberam amilina.
Enquanto a insulina participa principalmente do controle metabólico da glicose, a amilina envia sinais relacionados à quantidade de alimento ingerida.
Podemos imaginar a amilina como parte de um sistema fisiológico que diz ao organismo:
“Já entrou alimento suficiente.”
Ela participa da redução da ingestão alimentar, modulação do esvaziamento gástrico e controle da saciedade.
Isso imediatamente cria uma oportunidade farmacológica.
Se conseguirmos reproduzir ou prolongar esse sinal, talvez possamos reduzir a quantidade de alimento consumida.
E foi exatamente isso que começou a ser explorado.
Mas já existia um medicamento baseado em amilina
A ideia não é completamente nova.
A pramlintida, análogo da amilina, já demonstrou que essa via hormonal poderia ser utilizada farmacologicamente.
O problema era prático.
Meia-vida curta, necessidade de aplicações frequentes e eficácia ponderal limitada impediram que ela se transformasse em uma grande terapia antiobesidade.
A nova geração tenta resolver exatamente isso.
Os pesquisadores começaram a desenvolver moléculas de ação prolongada capazes de permanecer no organismo por dias.
Entre elas:
cagrilintida;
petrelintida;
eloralintida;
AZD6234;
e outras moléculas experimentais.
Mas surgiu uma ideia ainda mais ambiciosa:
e se colocássemos GLP-1 e amilina na mesma molécula?
Foi assim que chegamos à amicretina.
Amicretina: dois sistemas de saciedade em uma única molécula
A amicretina é um peptídeo unimolecular.
Isso significa que não estamos simplesmente misturando duas injeções diferentes.
A própria molécula foi construída para produzir atividade farmacológica combinada.
Ela possui atividade sobre:
receptor de GLP-1
e
sistema receptor de amilina/calcitonina.
Essa combinação é extremamente interessante porque os dois sistemas apresentam mecanismos parcialmente complementares.
O GLP-1 atua em diferentes regiões do sistema nervoso central envolvidas no controle da fome, saciedade e recompensa alimentar.
A amilina possui ação importante em estruturas do tronco encefálico, particularmente a área postrema e circuitos relacionados ao núcleo do trato solitário.
Portanto, podemos imaginar dois sinais chegando ao cérebro por caminhos diferentes:
GLP-1 → “reduza a fome”
amilina → “termine a refeição”
Naturalmente, a fisiologia real é muito mais complexa.
Mas essa simplificação ajuda a entender o racional farmacológico.
E por que isso pode funcionar melhor do que simplesmente aumentar a dose de GLP-1?
Porque existe um limite para qualquer via biológica.
Se aumentarmos progressivamente a estimulação de um único receptor, podemos aumentar eficácia.
Mas também podemos aumentar efeitos adversos.
Uma estratégia diferente é estimular simultaneamente vias complementares.
Em vez de pressionar cada vez mais o mesmo botão:
pressionamos dois botões diferentes.
É a mesma lógica que levou ao desenvolvimento da tirzepatida e da retatrutida.
A diferença é que agora uma das vias não pertence à família clássica das incretinas.
É a amilina.
O primeiro grande estudo com amicretina surpreendeu
O estudo publicado no Lancet avaliou 125 adultos com sobrepeso ou obesidade.
Os participantes receberam diferentes doses semanais de amicretina subcutânea ou placebo.
Os resultados mostraram clara relação entre dose e redução ponderal.
Na dose de 1,25 mg:
−9,7%.
Na dose de 5 mg:
−16,2%.
Na dose de 20 mg:
−22,0%.
E na dose de 60 mg, após 36 semanas:
−24,3%.
No grupo placebo correspondente:
−1,1%.
Os eventos adversos mais comuns foram gastrointestinais e, em sua maioria, classificados como leves ou moderados. (PubMed)
Coloque isso em perspectiva.
Uma pessoa com 120 kg que apresentasse uma redução de 24,3% teria perdido matematicamente:
aproximadamente 29 kg.
E estamos falando de 36 semanas.
Então a amicretina emagrece mais que retatrutida e tirzepatida?
Ainda não podemos afirmar isso.
Esse ponto é fundamental.
O número de 24,3% é impressionante.
Mas veio de um estudo inicial relativamente pequeno, com apenas 125 participantes distribuídos entre vários grupos de dose.
Compará-lo diretamente com estudos de fase 3 envolvendo milhares de pessoas seria metodologicamente inadequado.
Duração do tratamento, população, doses, estratégia de titulação, estimando estatístico e número de participantes são diferentes.
Portanto:
24,3% não significa que a amicretina já tenha demonstrado ser superior à tirzepatida, retatrutida ou CagriSema.
Significa que ela demonstrou um sinal de eficácia extraordinariamente forte em desenvolvimento clínico inicial.
Agora precisamos descobrir se esse resultado sobreviverá a estudos muito maiores.
E essa resposta começou a ser buscada.
A amicretina já avançou para fase 3
Em 2026, a Novo Nordisk iniciou o programa de fase 3 AMAZE para obesidade.
Além disso, a empresa anunciou o avanço da molécula para fase 3 em diabetes tipo 2 através do programa AMBITION.
Isso representa uma mudança importante.
A amicretina deixou de ser apenas uma molécula experimental interessante de fase inicial e entrou no estágio em que sua verdadeira eficácia, segurança e tolerabilidade poderão ser testadas em populações muito maiores. (Novo Nordisk)
É justamente nessa etapa que muitas promessas farmacológicas são confirmadas — ou desaparecem.
E existe amicretina oral
Aqui aparece outro aspecto fascinante.
A molécula também está sendo desenvolvida em formulação oral.
Em um estudo inicial de fase 1, a formulação oral produziu redução ponderal expressiva em apenas 12 semanas.
Isso é importante porque um dos grandes desafios das terapias peptídicas é justamente a administração.
Peptídeos são facilmente degradados no sistema gastrointestinal.
Transformar medicamentos hormonais complexos em terapias orais eficazes é farmacologicamente difícil.
Se uma terapia combinando GLP-1 e amilina conseguir produzir grande perda ponderal por via oral, isso poderá ter enorme impacto sobre aceitação e utilização futura.
Mas novamente:
os estudos ainda estão em desenvolvimento.
Amicretina não é a única: conheça a cagrilintida
Talvez o análogo de amilina de longa ação mais conhecido atualmente seja a cagrilintida.
Ela foi desenvolvida para produzir atividade prolongada sobre receptores relacionados à amilina.
Em um importante estudo de fase 2 publicado no Lancet, pessoas com sobrepeso ou obesidade foram tratadas durante 26 semanas.
Na dose de 4,5 mg, a redução média de peso chegou a aproximadamente:
10,6%.
Com liraglutida 3 mg:
8,4%.
Com placebo:
2,8%.
Foi uma demonstração importante de que a via da amilina poderia produzir perda ponderal clinicamente relevante mesmo sem GLP-1.
Mas então surgiu uma pergunta óbvia.
E se combinarmos cagrilintida com semaglutida?
Nasceu o CagriSema.
CagriSema: GLP-1 + amilina em duas moléculas
CagriSema combina:
semaglutida 2,4 mg
com
cagrilintida 2,4 mg.
O conceito é semelhante ao da amicretina:
ativar simultaneamente GLP-1 e a via da amilina.
Mas existe uma diferença estrutural importante.
A amicretina reúne as atividades em uma única molécula.
CagriSema combina duas moléculas distintas.
No REDEFINE-1, estudo de fase 3 envolvendo 3.417 adultos sem diabetes, a redução de peso em 68 semanas foi de aproximadamente:
−20,4% com CagriSema
−14,9% com semaglutida
−11,5% com cagrilintida
−3,0% com placebo
na análise que considera os participantes independentemente de interrupção ou aderência.
Quando analisado o estimando de eficácia — que estima o resultado durante tratamento — CagriSema chegou a:
−22,7%.
Mais de 40% dos participantes atingiram redução de pelo menos 25% nesse estimando. (Novo Nordisk)
Esse estudo demonstrou algo extremamente importante:
GLP-1 + amilina realmente pode produzir um efeito maior do que cada componente isoladamente.
Não é simplesmente uma hipótese fisiológica.
Já existe evidência clínica de fase 3 sustentando o conceito.
E agora temos outra estratégia: amilina sem GLP-1
Nem todos os pesquisadores acreditam que precisamos colocar GLP-1 em todas as novas terapias para obesidade.
Essa é uma das partes mais interessantes do pipeline atual.
Algumas empresas estão tentando desenvolver análogos altamente seletivos de amilina.
A ideia é simples:
conseguir perda de peso relevante com menor carga de efeitos gastrointestinais.
Um exemplo é a petrelintida.
Petrelintida: menos potência pode significar melhor tolerabilidade?
A petrelintida é um análogo de amilina de ação prolongada desenvolvido para administração semanal.
Resultados de fase 2 sugerem redução ponderal clinicamente relevante.
Mas o aspecto que mais chama atenção não é necessariamente ser a molécula que produz a maior perda de peso.
É a possibilidade de apresentar boa tolerabilidade.
Isso é extremamente importante.
A história dos medicamentos para obesidade não será decidida exclusivamente por quem consegue produzir a maior porcentagem de redução de peso.
Será decidida pela relação entre:
eficácia × tolerabilidade × segurança × adesão.
Imagine dois medicamentos.
Um produz 25% de perda, mas uma parcela significativa dos pacientes não consegue tolerá-lo.
Outro produz 15%, mas quase todos conseguem permanecer em tratamento.
Qual é melhor?
Depende do paciente.
Esse pode ser o grande espaço dos análogos de amilina
GLP-1 funciona extremamente bem.
Mas náuseas, vômitos, constipação e outros efeitos gastrointestinais continuam sendo uma limitação importante em parte dos pacientes.
Se conseguirmos desenvolver medicamentos baseados em amilina capazes de reduzir ingestão alimentar através de circuitos parcialmente diferentes e com melhor tolerabilidade, poderemos ter uma nova opção para pessoas que não toleram adequadamente terapias incretínicas.
Além disso, essas moléculas podem ser combinadas.
Isso abre dezenas de possibilidades.
O pipeline está ficando enorme
Além de amicretina e cagrilintida, várias moléculas estão sendo investigadas.
Entre elas:
petrelintida — análogo seletivo de amilina;
eloralintida — agonista relacionado ao sistema da amilina em desenvolvimento;
AZD6234 — candidato amilinérgico de longa ação;
MET-233i;
ABBV-295;
e outros compostos experimentais.
Alguns poderão funcionar como monoterapia.
Outros provavelmente serão combinados com GLP-1, GIP ou outras vias metabólicas.
O resultado é uma mudança importante na forma como pensamos o tratamento farmacológico da obesidade.
Antes procurávamos “o melhor medicamento”
Agora começamos a construir combinações fisiológicas.
Observe a evolução.
Semaglutida:
GLP-1.
Tirzepatida:
GIP + GLP-1.
Retatrutida:
GIP + GLP-1 + glucagon.
Amicretina:
GLP-1 + amilina.
CagriSema:
GLP-1 + amilina através de duas moléculas.
E novos medicamentos estão explorando diferentes combinações e proporções desses sinais.
Isso começa a parecer menos uma corrida por uma única droga milagrosa e mais uma tentativa de reconstruir farmacologicamente a complexa fisiologia que controla nosso peso corporal.
Nosso peso nunca foi controlado por apenas um hormônio
Esse talvez seja o ponto mais importante.
O organismo possui dezenas de sinais envolvidos na homeostase energética.
Entre eles:
leptina;
grelina;
insulina;
GLP-1;
GIP;
amilina;
PYY;
CCK;
glucagon;
e diversos circuitos hipotalâmicos e do tronco encefálico.
Por isso, esperar que um único receptor controle perfeitamente a obesidade talvez sempre tenha sido uma simplificação excessiva.
Os medicamentos modernos estão começando a reproduzir aquilo que a fisiologia já fazia:
utilizar vários sinais simultaneamente.
Existe outro detalhe fascinante: o gasto energético
Durante o emagrecimento, o organismo não permanece passivo.
À medida que o peso diminui, podem surgir adaptações destinadas a economizar energia.
O gasto energético cai.
A fome aumenta.
O organismo tenta recuperar o peso perdido.
É a chamada adaptação metabólica.
Alguns estudos experimentais sugerem que a sinalização da amilina pode reduzir ingestão alimentar sem necessariamente produzir a mesma redução compensatória de gasto energético esperada com outras formas de restrição.
Se isso for confirmado em humanos, poderá representar uma característica extremamente interessante.
Mas aqui precisamos separar hipótese de evidência clínica.
Ainda não temos dados humanos suficientes para afirmar que agonistas de amilina preservem gasto energético ou massa muscular de maneira clinicamente superior aos GLP-1RA.
Esse assunto precisa ser investigado diretamente.
E a massa muscular?
Essa talvez seja uma das questões mais importantes para toda essa nova geração.
Quando conseguimos produzir perdas de:
15%,
20%,
25%,
ou talvez futuramente 30% do peso,
não basta perguntar:
quanto o paciente perdeu?
Precisamos perguntar:
o que ele perdeu?
Queremos retirar principalmente tecido adiposo.
Queremos preservar músculo.
Queremos preservar força.
Queremos preservar capacidade funcional.
Estudos pré-clínicos com alguns análogos de amilina sugerem perda predominantemente adiposa e possível preservação relativa de massa magra.
Isso é extremamente interessante.
Mas estudos em animais não resolvem essa questão para seres humanos.
Precisaremos de avaliações robustas utilizando DXA, ressonância, tomografia, testes de força e desempenho físico.
Especialmente em idosos.
Porque um medicamento extremamente potente também pode criar um problema novo
Imagine um paciente de 75 anos.
Ele possui obesidade.
Mas também possui pouca massa muscular.
Começa um medicamento extremamente potente.
A fome praticamente desaparece.
Passa a consumir poucas calorias.
E pouca proteína.
Perde 25 kg rapidamente.
A balança comemora.
Mas e se parte relevante dessa perda for músculo?
O paciente pode terminar:
mais leve,
mas também mais fraco.
Isso não é sucesso terapêutico completo.
Por isso, quanto mais eficazes se tornam os medicamentos antiobesidade, mais importantes ficam:
proteína adequada;
treinamento resistido;
atividade física;
acompanhamento nutricional;
avaliação de força e função em pacientes de risco.
O futuro da obesidade não será simplesmente farmacológico.
Será farmacologia combinada à preservação da composição corporal.
Amicretina já está disponível?
Não para uso clínico rotineiro.
Ela continua sendo uma terapia experimental.
Apesar dos resultados extremamente promissores, ainda precisamos dos grandes estudos de fase 3 para determinar sua verdadeira relação entre eficácia e segurança.
O programa AMAZE de fase 3 em obesidade já foi iniciado, enquanto o programa AMBITION está avançando o desenvolvimento em diabetes tipo 2. (Novo Nordisk)
Até que os estudos sejam concluídos e haja aprovação pelas autoridades regulatórias, amicretina/zenagamtide não deve ser tratada como medicamento disponível para prescrição rotineira.
E existe um alerta importante.
“Peptídeo experimental” comprado pela internet não é medicamento aprovado
Com a enorme popularidade dessas moléculas, começaram a surgir ofertas online de substâncias experimentais antes mesmo de sua aprovação.
Isso cria riscos óbvios.
Não existe garantia automática de:
identidade química;
pureza;
esterilidade;
concentração;
estabilidade;
ou dose.
Uma molécula estar sendo estudada em ensaios clínicos não significa que produtos vendidos informalmente com seu nome sejam equivalentes ao produto utilizado nesses estudos.
Então a amicretina será melhor que retatrutida?
Ainda não sabemos.
E essa comparação ilustra perfeitamente um problema da cobertura sobre novos medicamentos para obesidade.
Retatrutida apresentou resultados extraordinários em estudos de fase 3.
Amicretina apresentou até 24,3% em apenas 36 semanas — mas em um estudo muito menor de fase 1b/2a. (PubMed)
CagriSema apresentou aproximadamente 20,4% no estimando de tratamento e 22,7% no estimando de eficácia em um grande estudo de fase 3. (Novo Nordisk)
Esses números não podem ser colocados simplesmente em um ranking.
Precisamos comparar:
mesma população;
mesma duração;
mesmo estimando;
mesmo grau de aderência;
e, idealmente, realizar estudos head-to-head.
Até isso acontecer, qualquer “campeão do emagrecimento” pode ser apenas uma comparação inadequada entre estudos diferentes.
A verdadeira revolução talvez não seja uma molécula
Talvez seja perceber que estamos entrando na era da farmacologia multihormonal.
Durante décadas, tentamos tratar obesidade simplesmente dizendo ao paciente:
“coma menos e se movimente mais.”
Hoje sabemos que o peso corporal é defendido por uma sofisticada rede neuroendócrina.
Quando alguém emagrece, o organismo reage.
A fome aumenta.
A saciedade diminui.
O gasto energético pode cair.
O cérebro tenta recuperar energia.
Os novos medicamentos não aboliram as leis da termodinâmica.
Eles fizeram algo muito mais interessante:
começaram a modificar os mecanismos biológicos que determinam quão difícil é manter um déficit energético.
GLP-1 foi o primeiro grande passo.
GIP ampliou esse efeito.
Glucagon adicionou outra dimensão.
E agora a amilina abre uma nova via.
O futuro talvez não seja escolher entre GLP-1 e amilina
Talvez seja combinar os dois.
Ou utilizar amilina quando GLP-1 não for bem tolerado.
Ou combinar GLP-1, GIP, glucagon e amilina em estratégias diferentes conforme o fenótipo metabólico de cada paciente.
Um paciente com obesidade grave pode precisar de máxima potência.
Outro pode precisar de menor potência e maior tolerabilidade.
Um idoso com sarcopenia pode precisar de emagrecimento mais lento e rigorosa preservação muscular.
Um paciente com diabetes e doença cardiovascular pode exigir outra prioridade terapêutica.
Essa provavelmente será a próxima fase da medicina da obesidade:
não encontrar o medicamento que emagrece mais.
Mas encontrar a combinação de eficácia, segurança e preservação funcional adequada para cada pessoa.
De Ozempic à amilina: estamos apenas no começo
Há poucos anos, uma perda farmacológica média de 20% parecia extraordinária.
Agora existem diferentes programas experimentais chegando ou ultrapassando essa faixa.
Amicretina produziu até 24,3% em 36 semanas em um pequeno estudo inicial. (PubMed)
CagriSema confirmou em fase 3 que combinar GLP-1 e amilina produz redução de peso maior do que seus componentes isoladamente. (Novo Nordisk)
E diferentes análogos de amilina estão sendo desenvolvidos tentando encontrar um equilíbrio ainda melhor entre potência e tolerabilidade.
Talvez esse seja o ponto mais fascinante:
GLP-1 não parece ser o fim da revolução farmacológica da obesidade.
Pode ter sido apenas a porta de entrada.
A próxima geração não estará necessariamente tentando estimular cada vez mais o mesmo receptor.
Ela poderá combinar diferentes sinais fisiológicos de saciedade, metabolismo e gasto energético.
E a amilina provavelmente terá um papel importante nessa história.
A pergunta que determinará o futuro desses medicamentos não será simplesmente:
“Quanto peso conseguem retirar?”
Será:
“Quanto de gordura conseguimos retirar preservando músculo, função, nutrição e qualidade de vida — e por quanto tempo conseguimos manter esse benefício com segurança?”
Essa é a diferença entre produzir uma redução impressionante na balança e realmente tratar a obesidade.
Referências
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- Fischer SL, Borner T. Beyond GLP-1: Amylin-Based Pharmacotherapy and the Search for Better-Tolerated Weight-Loss Drugs. Pharmacological Research. 2026;232:108382.
Dr. Leandro Fioravanti Figueiredo
Cardiologista / Cirurgião Vascular e Geral
CRM MG 53102 / CRM SP 247039
RQE 35112 / 37080 / 65096
Títulos AMB 144415 / 157859 / 245309
Pós-graduação em Direito Processual Civil
Pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar
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