Retatrutida: o triplo agonista que está mudando os limites do tratamento da obesidade

Durante décadas, perder 20%, 25% ou até 30% do peso corporal era um resultado que associávamos principalmente à cirurgia bariátrica.

Isso começou a mudar.

Primeiro vieram os agonistas de GLP-1.

Depois, a semaglutida mostrou que perdas médias próximas de 15% poderiam ser alcançadas farmacologicamente.

Em seguida, a tirzepatida acrescentou a ação sobre o GIP e levou muitos pacientes para a faixa de 20%.

Agora surgiu uma terceira etapa nessa evolução:

GLP-1 + GIP + glucagon.

Esse é o princípio da retatrutida, um medicamento experimental administrado uma vez por semana que atua simultaneamente em três receptores metabólicos.

E os primeiros resultados de fase 3 colocaram a farmacoterapia da obesidade em um território que, até poucos anos atrás, parecia improvável.

No TRIUMPH-1, publicado em setembro de 2026 no New England Journal of Medicine, adultos com obesidade sem diabetes tratados com 12 mg de retatrutida apresentaram redução média de 25,0% do peso corporal em 80 semanas na análise de intenção de tratar.

Na análise de eficácia durante tratamento divulgada anteriormente, a redução chegou a 28,3%.

E 45,3% dos participantes da dose de 12 mg alcançaram perda de pelo menos 30% enquanto em tratamento.

Estamos começando a falar de uma nova escala de emagrecimento farmacológico.

Mas existe uma pergunta ainda mais interessante:

por que adicionar glucagon a um medicamento para emagrecer?

A resposta ajuda a entender por que a retatrutida é tão diferente.


Da semaglutida à tirzepatida — e agora à retatrutida

Podemos compreender essa evolução como três gerações conceituais.

A semaglutida atua sobre o receptor de GLP-1.

A tirzepatida atua simultaneamente sobre:

GIP + GLP-1.

A retatrutida acrescenta um terceiro receptor:

GIP + GLP-1 + glucagon.

É um único peptídeo capaz de produzir atividade agonista nos três sistemas.

A molécula possui modificação lipídica que prolonga sua permanência no organismo, permitindo administração subcutânea semanal.

Mas o ponto realmente interessante não é simplesmente adicionar mais um receptor.

É o que esse terceiro receptor faz.

GLP-1: comer menos

O primeiro componente é relativamente conhecido.

A ativação do receptor de GLP-1 atua sobre diferentes mecanismos envolvidos na homeostase energética.

Entre seus efeitos estão aumento da saciedade, redução da ingestão alimentar, modulação de circuitos centrais relacionados à fome e melhora do controle glicêmico.

Na prática, muitas pessoas tratadas com medicamentos dessa família relatam algo característico:

“Minha fome simplesmente diminuiu.”

Isso modifica profundamente o balanço energético.

Se uma pessoa espontaneamente passa a consumir centenas de calorias a menos diariamente, o organismo precisa mobilizar suas reservas.

O resultado é perda de peso.

GIP: mais do que simplesmente outro hormônio intestinal

O segundo componente é o GIP.

Durante muito tempo, o papel do GIP no tratamento da obesidade pareceu paradoxal.

Mas a experiência com a tirzepatida demonstrou que a combinação de agonismo GIP e GLP-1 pode produzir efeitos extremamente importantes sobre glicemia e peso corporal.

O GIP participa da resposta incretínica, influencia secreção de insulina e possui efeitos complexos sobre sistema nervoso central e tecido adiposo.

Quando combinado ao GLP-1 dentro de uma molécula farmacologicamente otimizada, o resultado pode ser muito maior do que simplesmente adicionar os efeitos isolados dos dois hormônios.

Foi assim que a tirzepatida elevou significativamente o patamar de perda de peso farmacológica.

Mas a retatrutida adiciona algo diferente.

Glucagon: o componente que parece contraditório

Quando ouvimos a palavra glucagon, geralmente pensamos:

“aumenta a glicemia.”

E isso está correto — mas incompleto.

O glucagon é muito mais do que um hormônio contrarregulador da glicose.

Ele também participa da regulação do metabolismo energético.

A ativação controlada do receptor de glucagon pode aumentar gasto energético, favorecer mobilização de substratos e aumentar oxidação de ácidos graxos, além de produzir efeitos relevantes sobre o metabolismo hepático.

Surge então uma estratégia farmacológica extremamente interessante.

Enquanto GLP-1 e GIP ajudam principalmente a modificar ingestão alimentar e metabolismo glicêmico, o componente glucagon pode contribuir para modificar o outro lado da equação energética.

De forma simplificada:

GLP-1/GIP ajudam a reduzir a entrada de energia.

O agonismo de glucagon pode contribuir para aumentar a utilização de energia.

É como atacar os dois lados da equação simultaneamente.

Mas existe um desafio.

Glucagon isoladamente poderia aumentar a glicemia.

A engenharia farmacológica tenta equilibrar esse efeito com as ações incretínicas do GLP-1 e GIP.

É justamente esse equilíbrio entre três receptores que torna a retatrutida tão interessante.

O primeiro grande sinal apareceu na fase 2

Em 2023, o New England Journal of Medicine publicou o estudo de fase 2 da retatrutida em obesidade.

Os resultados já chamaram enorme atenção.

Na dose de 12 mg, a redução média de peso chegou a aproximadamente 24% em 48 semanas em uma das análises do estudo.

Mais importante ainda:

a curva de perda de peso ainda não parecia ter atingido claramente um platô.

Isso imediatamente levantou uma hipótese.

O que aconteceria se o tratamento fosse mantido por mais tempo?

A fase 3 começou a responder essa pergunta.

TRIUMPH-1: chegamos a 25% de perda média de peso

O TRIUMPH-1 incluiu 2.339 adultos com obesidade sem diabetes.

Os participantes receberam semanalmente:

retatrutida 4 mg;

retatrutida 9 mg;

retatrutida 12 mg;

ou placebo.

O tratamento durou 80 semanas.

Na análise de intenção de tratar publicada no New England Journal of Medicine, a redução média de peso foi:

4 mg → −17,6%

9 mg → −23,7%

12 mg → −25,0%

placebo → −3,9%

Ou seja, na dose de 12 mg, aproximadamente um quarto do peso corporal inicial desapareceu, em média.

Pense no que isso representa.

Uma pessoa com 120 kg teria, matematicamente, uma redução média próxima de:

30 kg.

Uma pessoa com 160 kg:

aproximadamente 40 kg.

Naturalmente, médias populacionais não são previsões individuais.

Algumas pessoas perdem muito mais.

Outras perdem menos.

Algumas não toleram o medicamento.

Mas a magnitude do efeito médio é extraordinária.

E alguns pacientes chegaram à faixa de 30%

Nas análises durante tratamento divulgadas para o TRIUMPH-1, a dose de 12 mg produziu redução média de aproximadamente 28,3%.

E 45,3% dos participantes alcançaram perda de pelo menos 30% do peso.

Esse número chama atenção porque reduções dessa magnitude foram historicamente associadas muito mais à cirurgia metabólica do que ao tratamento medicamentoso.

Isso não significa que retatrutida e cirurgia bariátrica sejam equivalentes.

Não são.

Cirurgia possui mecanismos, indicações, riscos e resultados de longo prazo completamente diferentes.

Mas significa que a fronteira entre perda ponderal farmacológica e cirúrgica está ficando menos distante.

E em pessoas com diabetes?

Aqui existe uma característica recorrente dos medicamentos para obesidade.

Pessoas com diabetes tipo 2 frequentemente perdem menos peso do que pessoas sem diabetes utilizando a mesma terapia.

Mesmo assim, os resultados da retatrutida continuam impressionantes.

No TRANSCEND-T2D-1, estudo de fase 3 publicado no Lancet em junho de 2026, adultos com diabetes tipo 2 inadequadamente controlado apenas com dieta e exercício foram tratados durante 40 semanas.

A redução média do peso foi:

4 mg → −11,5%

9 mg → −13,9%

12 mg → −15,3%

placebo → −2,6%.

E simultaneamente ocorreu redução importante da hemoglobina glicada.

Isso mostra uma característica importante da molécula:

ela não está apenas provocando emagrecimento.

Está modificando profundamente o metabolismo glicêmico.

TRIUMPH-2: obesidade e diabetes tipo 2

Dados de fase 3 do TRIUMPH-2 ampliaram essa observação.

Em adultos com obesidade ou sobrepeso associado ao diabetes tipo 2, o tratamento durante 80 semanas produziu reduções de peso que chegaram a aproximadamente 20,8% na dose de 12 mg nas análises de eficácia divulgadas.

No subgrupo com IMC inicial ≥35 kg/m², a redução média chegou a aproximadamente 23,4%.

Esses resultados são particularmente interessantes porque pacientes com diabetes historicamente apresentam resposta ponderal menor às terapias incretínicas do que indivíduos sem diabetes.

Mesmo nesse cenário, a magnitude da perda foi extremamente elevada.

Retatrutida é melhor que tirzepatida?

Aqui precisamos ter cuidado.

Numericamente, os resultados disponíveis colocam a retatrutida em uma faixa de perda de peso superior às médias observadas nos principais estudos de semaglutida e tirzepatida.

Mas comparar estudos diferentes não é o mesmo que realizar uma comparação direta.

As populações são diferentes.

Os critérios de inclusão são diferentes.

As durações são diferentes.

Os métodos estatísticos são diferentes.

Portanto, não podemos simplesmente colocar:

semaglutida = 15%

tirzepatida = 20%

retatrutida = 25%

e concluir que essa é uma hierarquia definitiva.

É uma comparação indireta.

A boa notícia é que essa pergunta está sendo testada diretamente.

O TRIUMPH-5 compara retatrutida com tirzepatida em adultos com obesidade.

Também existem estudos comparando retatrutida com semaglutida em diabetes tipo 2.

Esses ensaios serão muito mais informativos sobre a verdadeira diferença entre as moléculas.

Até lá, podemos afirmar que a retatrutida apresentou resultados numericamente extraordinários — mas não transformar comparações entre estudos em uma disputa head-to-head que ainda não foi concluída.

Existe outro dado fascinante: a cintura diminui muito

Obesidade não é apenas uma questão de peso total.

A distribuição da gordura importa.

Gordura visceral possui forte associação com resistência à insulina, diabetes tipo 2, doença hepática metabólica e risco cardiovascular.

Nos estudos com retatrutida, as reduções de circunferência abdominal acompanham a grande redução ponderal.

Isso sugere perda importante de adiposidade central.

E aqui surge uma das possíveis vantagens metabólicas do componente glucagon.

O fígado pode ser um dos grandes alvos da retatrutida

O receptor de glucagon está fortemente relacionado ao metabolismo hepático.

O agonismo glucagonérgico pode aumentar oxidação de ácidos graxos e modificar vias relacionadas ao acúmulo de gordura no fígado.

Isso torna os agonistas GLP-1/glucagon e os triagonistas particularmente interessantes para doenças como a esteatose hepática associada à disfunção metabólica.

A obesidade moderna não é simplesmente excesso de gordura subcutânea.

É frequentemente acompanhada de:

gordura visceral;

esteatose hepática;

resistência à insulina;

hipertrigliceridemia;

inflamação metabólica;

diabetes;

apneia obstrutiva do sono;

doença cardiovascular.

Por isso, o futuro desses medicamentos provavelmente não será medido apenas em quilos.

O TRIUMPH-1 mostrou algo além da balança

O estudo publicado no NEJM também avaliou participantes com osteoartrite de joelho e apneia obstrutiva do sono.

A retatrutida reduziu significativamente a dor relacionada à osteoartrite do joelho e reduziu o índice de apneia-hipopneia nos participantes com apneia obstrutiva do sono.

Isso é importante porque mostra a mudança conceitual que está ocorrendo no tratamento da obesidade.

Não queremos apenas fazer o paciente pesar menos.

Queremos tratar:

as consequências da obesidade.

Quando 20 ou 30% do peso corporal desaparecem, doenças mecânicas e metabólicas também podem se modificar profundamente.

Mas existe um preço fisiológico para tanta potência?

Provavelmente essa será uma das grandes discussões dos próximos anos.

Quanto mais potente o medicamento, maior precisa ser nossa atenção à tolerabilidade.

Os eventos adversos mais comuns da retatrutida são gastrointestinais.

Entre eles:

náusea;

diarreia;

vômitos;

constipação;

redução intensa do apetite.

Eles tendem a ocorrer principalmente durante escalonamento da dose e apresentam relação com a dose utilizada.

Isso explica por que a titulação gradual é tão importante.

O objetivo não deveria ser chegar à maior dose o mais rapidamente possível.

O objetivo é encontrar uma relação adequada entre:

eficácia × tolerabilidade × segurança × necessidade clínica.

Nem todo paciente precisa perder 30% do peso

Essa talvez seja uma das discussões mais importantes.

Quando nossos medicamentos eram pouco eficazes, a pergunta era:

“Como fazer o paciente emagrecer mais?”

Agora começamos a entrar em uma época em que a pergunta pode ser:

“Quanto este paciente realmente precisa emagrecer?”

Imagine uma pessoa de 70 anos com obesidade, sarcopenia inicial e baixa ingestão proteica.

Produzir perda extremamente rápida de peso sem treinamento resistido e suporte nutricional pode reduzir gordura, mas também comprometer massa magra.

Em outro extremo, um paciente jovem com obesidade grave, apneia do sono, diabetes e esteatose hepática pode se beneficiar enormemente de uma redução ponderal muito mais intensa.

A mesma dose não necessariamente é ideal para os dois.

A medicina da obesidade está deixando de discutir apenas “se o paciente emagrece” e começando a discutir:

qual é a intensidade ideal do emagrecimento.

E o músculo?

Esse é provavelmente o próximo grande capítulo.

Quando uma pessoa perde 25 ou 30% do peso corporal, precisamos perguntar:

perdeu o quê?

Grande parte será gordura.

Mas perdas ponderais expressivas também podem envolver massa livre de gordura.

Por isso, terapias extremamente potentes aumentam a importância de estratégias para preservação muscular.

Especialmente em idosos, considero fundamentais três pontos:

proteína adequada;

treinamento resistido;

acompanhamento da força e composição corporal quando indicado.

O futuro do tratamento da obesidade não pode ser produzir pacientes mais leves e simultaneamente mais frágeis.

O objetivo deve ser:

menos gordura + músculo preservado + melhor capacidade funcional.

Retatrutida já pode ser usada?

Não.

Este ponto é fundamental.

A retatrutida continua sendo um medicamento investigacional.

Apesar dos resultados de fase 3, ela ainda não possui aprovação regulatória para uso clínico rotineiro.

Isso significa que produtos vendidos na internet como “retatrutida”, “reta” ou “peptídeo de pesquisa” não devem ser confundidos com o medicamento produzido e monitorado dentro dos ensaios clínicos.

Um frasco adquirido pela internet não possui automaticamente garantia de:

identidade;

concentração;

pureza;

esterilidade;

estabilidade;

ou dose correta.

O fato de uma molécula estar sendo estudada em fase 3 não significa que versões clandestinas sejam medicamentos aprovados.

E quando ela poderá chegar ao mercado?

A fabricante anunciou intenção de iniciar submissões regulatórias após a conclusão do pacote de fase 3.

Mas aprovação depende da análise das agências reguladoras.

Até isso acontecer, não existe indicação clínica rotineira aprovada para retatrutida.

Essa distinção é especialmente importante porque a enorme repercussão dos resultados provavelmente aumentará a procura por versões não regulamentadas.

Estamos diante da “bariátrica em uma caneta”?

Essa frase é tentadora.

Mas ainda é cedo para utilizá-la literalmente.

A magnitude da perda ponderal começa realmente a entrar em uma faixa historicamente associada à cirurgia metabólica em parte dos pacientes.

Entretanto, cirurgia bariátrica possui décadas de acompanhamento e dados sobre durabilidade, mortalidade e complicações.

Com a retatrutida, ainda precisamos responder perguntas fundamentais:

O que acontece depois de cinco anos?

Quanto peso retorna após a interrupção?

O tratamento precisará ser contínuo?

Qual será o impacto cardiovascular?

Qual será o efeito sobre massa muscular e óssea?

Quais eventos adversos raros aparecerão quando milhões de pessoas forem expostas?

Essas perguntas não diminuem a importância da molécula.

Elas simplesmente lembram que medicina baseada em evidências exige tempo.

A grande mudança talvez não seja a retatrutida

Talvez seja o conceito que ela representa.

Primeiro aprendemos a manipular uma via hormonal.

Depois duas.

Agora três.

E novas moléculas já exploram diferentes combinações entre:

GLP-1;

GIP;

glucagon;

amilina;

e outros sistemas relacionados à homeostase energética.

Isso transforma obesidade de uma doença tratada principalmente através de recomendações comportamentais em uma doença na qual começamos a intervir diretamente nos mecanismos biológicos que defendem o excesso de peso.

É uma mudança gigantesca.

De 5% para 30%: a régua mudou

Durante muito tempo, uma perda de 5% do peso corporal era considerada um excelente resultado farmacológico.

E continua sendo clinicamente relevante.

Mas observe a evolução.

Primeiras terapias antiobesidade:

aproximadamente 5–10%.

Agonistas modernos de GLP-1:

aproximadamente 10–15% ou mais.

Tirzepatida:

em torno de 20% em importantes estudos de obesidade.

Retatrutida:

aproximadamente 25% na análise de intenção de tratar do TRIUMPH-1, com análises durante tratamento aproximando-se de 28%.

E quase metade dos participantes na dose mais alta alcançou pelo menos 30% de redução enquanto em tratamento.

Em pouco mais de uma década, mudamos completamente aquilo que consideramos possível com farmacoterapia.

A pergunta agora não é apenas “qual medicamento emagrece mais?”

Essa corrida por números cada vez maiores pode nos fazer esquecer o objetivo.

O tratamento da obesidade não deveria perseguir o menor número possível na balança.

Deveria buscar redução suficiente da adiposidade para melhorar:

diabetes;

pressão arterial;

apneia do sono;

esteatose hepática;

mobilidade;

risco cardiovascular;

qualidade de vida;

e expectativa de vida.

Enquanto preservamos:

músculo;

força;

massa óssea;

nutrição;

e capacidade funcional.

É por isso que a retatrutida é tão interessante.

Não apenas porque alguém perdeu 25 ou 30%.

Mas porque ela mostra que estamos começando a controlar farmacologicamente sistemas metabólicos que, durante décadas, tornaram a obesidade extremamente difícil de tratar.

A retatrutida pode não ser simplesmente “um Ozempic mais forte”.

Ela representa uma mudança de conceito:

em vez de estimular uma única via hormonal, estamos aprendendo a coordenar múltiplos sistemas que controlam fome, glicemia, tecido adiposo e gasto energético.

E talvez seja justamente aí que esteja o futuro do tratamento da obesidade.

A grande questão deixou de ser:

“Conseguiremos produzir uma perda de peso semelhante à cirurgia com medicamentos?”

Os estudos recentes sugerem que, em uma parcela dos pacientes, estamos nos aproximando dessa magnitude.

A pergunta agora é muito mais sofisticada:

conseguiremos produzir essa perda de peso preservando músculo, mantendo segurança e transformando uma redução impressionante na balança em benefício cardiovascular e metabólico duradouro?

Essa resposta ainda está sendo construída.

E será muito mais importante do que qualquer número isolado de quilos perdidos.

Referências

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  2. Jastreboff AM, Kaplan LM, Frías JP, et al. Triple-Hormone-Receptor Agonist Retatrutide for Obesity — A Phase 2 Trial. New England Journal of Medicine. 2023;389:514-526. DOI: 10.1056/NEJMoa2301972.
  3. Bajaj HS, Welch M, Shah P, et al. Efficacy and safety of retatrutide, a GIP, GLP-1, and glucagon receptor agonist, in people with type 2 diabetes and inadequate glycaemic control with diet and exercise (TRANSCEND-T2D-1). Lancet. 2026;407:2402-2413. DOI: 10.1016/S0140-6736(26)00967-0.
  4. Rosenstock J, Frias J, Jastreboff AM, et al. Retatrutide, a GIP, GLP-1 and Glucagon Receptor Agonist, for People With Type 2 Diabetes: A Randomised Phase 2 Trial. Lancet. 2023;402:529-544.
  5. Winther JB, Holst JJ. Glucagon agonism in the treatment of metabolic diseases including type 2 diabetes mellitus and obesity. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2024;26:3501-3512.
  6. Kusminski CM, Perez-Tilve D, Müller TD, et al. Transforming Obesity: The Advancement of Multi-Receptor Drugs. Cell. 2024;187:3829-3853.

Dr. Leandro Fioravanti Figueiredo
Cardiologista / Cirurgião Vascular e Geral
CRM MG 53102 / CRM SP 247039
RQE 35112 / 37080 / 65096
Títulos AMB 144415 / 157859 / 245309
Pós-graduação em Direito Processual Civil
Pós-graduação em Direito Médico e Hospitalar

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